O artigo de opinião de hoje fala variadamente sobre futebol, porque passa pela atualidade do SC Braga, sem esquecer a Seleção de Portugal.
As competições principais de clubes pararam para permitir a realização de uma dupla jornada das seleções, sendo natural o interesse maior pela Nação Valente. Existe, deste modo, um período curto de pausa e ação, em diferentes contextos. A jornada 11 foi profícua para os lados da Pedreira, porque o triunfo sobre o Moreirense recebia a (boa) companhia das derrotas do Moreirense, precisamente em Braga, e do FC Famalicão, na receção ao FC Porto.
Os dois insucessos mencionados foram o prato principal de uma refeição, que recebeu como sobremesa os empates do Gil Vicente, na Vila das Aves e do SL Benfica, na receção ao Casa Pia. Assim, os brácaros saíram do seu relvado com motivos para sorrir, pelo que conseguiram e porque ganharam terreno a quatro adversários que seguem na sua frente, agora com uma distância mais curta.
A Liga de Portugal é uma prova de longo curso, deixando margem para recuperação em relação a alguns rivais. Porém, é preferível andar à frente do que atrás na classificação, pois como diz o povo “candeia que vai à frente ilumina duas vezes”. Eu diria que ilumina mais um caminho cujos obstáculos carecem de visibilidade para evitar percalços indesejados.
Acredito que, daqui por uns meses, a tabela classificativa esteja mais de acordo com as previsões iniciais, no que diz respeito aos primeiros lugares. Mesmo assim, é preciso estar muito alerta porque a passagem do tempo contrasta com a menor margem de erro que daí decorre.
O próximo fim de semana traz de volta a Taça de Portugal e aqui não existe margem de erro, porque em cada duelo uma equipa segue em frente e outra cai por terra, arrasando eventuais sonhos dos adeptos de vários clubes. O SC Braga vai receber o Nacional da Madeira, na tentativa de vencer e corrigir o péssimo resultado e exibição realizados na liga portuguesa frente aos insulares.
A época desportiva tem realçado alguns valores em Braga, dos quais falarei mais adiante quando fizer uma avaliação parcial do trabalho realizado. No entanto, não posso omitir a influência que o histórico Capitão Ricardo Horta tem atualmente na equipa que comanda no relvado.
O camisola 21 faz subir o coletivo de patamar quando atua em zonas de decisão, fazendo golos ou passes decisivos ou sendo influente no labor do conjunto arsenalista.
Alguns jogadores não tiveram direito a repouso porque partiram para representar as suas seleções. Jogadores como Lagerbielke (Suécia), Grillitsch (Áustria), Dorgelles (Costa de Marfim), Zalazar (Uruguai) ou Pau Víctor (seleção da Catalunha), juntam-se a nomes de alguns jovens da equipa principal que integram várias convocatórias portuguesas, como Diego Rodrigues, Afonso Patrão ou Sandro Vidigal. Contudo o nome mais surpreendente foi o de João Carvalho que passou de habitual titular dos Sub-21 para a seleção principal, devido à indisponibilidade de José Sá por motivos familiares, vivendo momentos sublimes que jamais esquecerá.
A ausência mais incompreensível nas convocatórias portuguesas no contexto atual é mesmo a de Ricardo Horta, que é um nome incontornável nas melhores prestações bracarenses, sendo lamentável que Roberto Martinez continue a manter o seu afastamento dos trabalhos do conjunto das Quinas. E nem quero valorizar excessivamente a chamada de quatro laterais direitos e nenhum do lado oposto, quando recentemente colocou o nome de Leonardo Lelo na porta da entrada principal. Talvez a porta estivesse fechada no momento da “chamada” e ninguém a conseguisse abrir.
A seleção lusa teve o apuramento garantido até ao período de descontos do quarto jogo, perdendo nesse período a possibilidade de decidir antecipadamente o seu apuramento e deixando a decisão para a derradeira jornada, frente à Arménia.
Em condições normais Portugal deverá ganhar e garantir o passaporte, o que irá diluir um pouco as críticas feitas ao selecionar espanhol que comanda a nossa seleção. O empate caseiro ante a Hungria e a derrota, a roçar a humilhação, na Irlanda fizeram baixar as expectativas dos adeptos lusos que. por norma, oscilam entre a euforia e a depressão com velocidade excessiva.
Talvez Portugal se fortaleça um pouco mais e se torne coletivamente mais capaz depois dos dois desaires referidos, chegando à fase final do Mundial 2026 em condições de ter uma palavra a dizer ao nível das decisões. Espero que Roberto Martinez faça uma convocatória final mais de acordo com o trabalho realizado pelos jogadores do que pelo estatuto adquirido ao longo dos tempos.