O tema central do artigo de opinião de hoje é a Taça da Liga, competição que Leiria volta a receber, assistindo à definição do Campeão de Inverno.
É conhecida a minha opinião crítica relativamente a este modelo competitivo, uma vez que considero que é exclusivo e não inclusivo, como deveria ser. Em teoria, todos podem aceder à disputa do troféu, mas o facto de serem as classificações da época anterior a definir os apurados para competir fere, desde logo, a vertente de equidade que deveria existir. Como exemplo de possíveis alterações, deixo a seguinte proposta: os clubes fora dos lugares europeus poderiam iniciar a disputa da Taça da Liga mais cedo, antes das restantes competições oficiais, em vez de realizarem (tantos) jogos particulares. Naturalmente, refletindo de forma mais aprofundada, existem outras alterações que poderiam melhorar substancialmente o formato atual e, desse modo, permitir que todos os clubes sob a égide da Liga Portugal possam sonhar com a presença na fase decisiva.
A presente edição da Taça da Liga apurou para a sua disputa os seis primeiros classificados da Primeira Liga e os dois primeiros da Segunda Liga da época anterior. Assim, nos quartos de final surgiram os seguintes duelos: Sporting CP vs FC Alverca; SL Benfica vs CD Tondela; FC Porto vs Vitória SC; SC Braga vs Santa Clara. O favoritismo teórico recaía sobre as equipas anfitriãs, sendo que os bracarenses teriam, em teoria, o encontro mais complicado, contra um rival que inclusive esteve nas competições europeias esta temporada. Contudo, o futebol foi inventado com uma bola redonda precisamente para contrariar muitas vezes a lógica, sendo esse um dos fatores que o tornam um desporto de massas, carregado de paixão. Dos encontros referidos resultaram, para a final four de Leiria, os duelos Sporting CP vs Vitória SC e SL Benfica vs SC Braga, conforme já estava previamente definido para as meias-finais.
O Vitória SC surgia nesta fase final de forma algo inesperada, depois de ter ido ao Dragão derrotar o FC Porto, infligindo aos portistas o único desaire interno até ao momento. Os dragões não levaram muito a sério a possibilidade de eliminação, apresentando um onze praticamente novo face à sua equipa base da temporada, acabando derrotados por 1x3. O SC Braga bateu, sem apelo nem agravo, o Santa Clara por expressivos 5x0, garantindo novamente a presença nas decisões. Já nos jogos disputados em Lisboa, registou-se um apuramento natural de Sporting CP e SL Benfica.
O primeiro jogo das meias-finais colocou frente a frente leões, bastante desfalcados devido às muitas ausências, e conquistadores, que parecem ter várias vidas em cada encontro, nunca desistindo da luta pelo resultado. Em Guimarães, o treinador Luís Pinto tem realizado um trabalho notável, inventando soluções e reinventando a equipa perante a escassez de valores confirmados, consequência da razia sofrida no plantel no início da época. Na minha opinião, se Luís Pinto tivesse outro estatuto, teria saído muito cedo e este trabalho não existiria atualmente. Contudo, não saiu, e os seus méritos são evidentes na temporada realizada. Frente aos leões, a equipa vimaranense cedo se viu em desvantagem, que nunca foi ampliada graças às enormes intervenções de Charles que, numa feliz rotatividade na baliza, esteve gigantesco e manteve os minhotos sempre na discussão do resultado, porque a diferença era de um golo apenas. O longo período de onze minutos de compensação, pouco habitual quando a equipa teoricamente mais forte está em vantagem, viria a ser determinante para o Vitória SC marcar dois golos, sendo o segundo no último minuto, garantindo assim o apuramento para a final.
O Castelo ficou, então, a assistir de cadeirão ao encontro entre SL Benfica e SC Braga, para perceber qual seria o adversário na final. Na segunda meia-final, o SC Braga voltou a ser claramente superior no primeiro tempo, tal como acontecera recentemente na Pedreira para a liga portuguesa. Desta vez, porém, a vantagem arsenalista ao intervalo era de dois golos, em vez de um, proporcionando maior conforto aos bracarenses. Ainda na primeira dezena de minutos, o árbitro João Pinheiro assinalou uma grande penalidade contra o SL Benfica, decisão corrigida pelo VAR, aparentemente de forma acertada, para falta fora da área. No entanto, o cartão amarelo exibido a Otamendi deveria ter sido vermelho, tendo o VAR falhado ao não recomendar a visualização das imagens, conforme determinam os regulamentos, para eventual alteração da cor do cartão. Esta dualidade na aplicação dos critérios existentes em lances semelhantes é difícil de compreender. Ainda assim, o capitão benfiquista ficou condicionado disciplinarmente ao longo do encontro, como se viu em algumas abordagens durante a partida. O central argentino viria a ser expulso perto do minuto noventa, por acumulação de cartões amarelos, tendo permanecido em campo cerca de oitenta minutos a mais do que seria expectável. Os mesmos protagonistas da arbitragem voltariam a errar no cartão amarelo mostrado a Prestianni, a cerca de vinte minutos do final, quando uma entrada grosseira justificava a expulsão.
Para a história fica a vitória do SC Braga, por 3x1, que espelha o seu desempenho superior no relvado, ainda que José Mourinho tenha afirmado que “o SC Braga não mereceu ganhar, mas o SL Benfica mereceu perder”. Vá lá que, desta vez, não afirmou que tinha vencido o encontro. Estava consumada a primeira derrota interna do SL Benfica nesta temporada.
Temos agora uma final inédita, num dérbi inesperado entre duas equipas minhotas que garantem, desde já e contra todas as previsões, que o novo Campeão de Inverno será do Minho.
Ao SC Braga apenas peço entrega, seriedade e plena consciência da importância desta final histórica frente ao rival eterno. Para ambos os clubes, esta é simultaneamente a melhor final para vencer e a pior para perder. Que o futebol saia vencedor e, se possível, em tons de vermelho e branco.