A época europeia do SC Braga já vai muito longa, tal como no agregado das diferentes competições. O filme da Bracara Augusta na Europa da presente temporada começou bem cedo quando, ainda em julho, o SC Braga defrontou, fora, o Levski de Sofia. Daí até à atualidade foi percorrido um caminho que levou a equipa de Carlos Vicens até aos quartos de final da Liga Europa.
A fase a eliminar foi feita com o sucesso de cinco triunfos e um empate, resultados que garantiram o apuramento para a fase regular. O Levski de Sofia (Bulgária), o CFR Cluj (Roménia) e o Lincoln RI (Gibraltar) foram as etapas superadas pelos Gverreiros do Minho.
A Liga Europa começava efetivamente na fase de liga, onde o SC Braga apresentou um caminho invejável que culminou no apuramento direto para os oitavos de final da competição. Um conjunto de cinco vitórias, dois empates fora e uma derrota caseira, num jogo atípico frente aos belgas do Genk, valeram os dezassete pontos do contentamento braguista. Um lugar nos oito primeiros da Liga Europa era uma realidade e, assim, evitou-se uma eliminatória adicional, que muito jeito deu na gestão física de uma equipa que não se cansa de competir.
Os oitavos de final da Liga Europa levaram o SC Braga até à Hungria para defrontar o Ferencváros. Os ares magiares não fizeram nada bem aos brácaros, que regressaram a Portugal com dois golos de desvantagem, depois de uma fraca exibição, e com o caminho da eliminação bem visível, para desgosto da Legião. Foi a primeira derrota fora de portas registada pelos bracarenses na época internacional em curso.
Contudo, em Braga existe uma equipa de Gverreiros que, quando está ao seu nível, é capaz de escalar montanhas e superar obstáculos de monta elevada. E assim aconteceu, com a reversão conseguida frente aos húngaros, num horário obsceno, na tarde de uma quarta-feira, através de uma goleada por quatro golos sem resposta. Penso que os melhores sonhos da Legião do Minho não contemplavam a marcação de três golos em pouco mais de meia hora, que inverteram o rumo de uma eliminatória que chegou a parecer uma utopia.
O encontro não poderia terminar sem o melhor golo da tarde, obtido por Ricardo Horta, cuja história em Braga é muito superior à sua dimensão física. O capitão bracarense voltou a ser o farol que iluminou o caminho do sucesso, tendo a companhia imprescindível de Rodrigo Zalazar. Mas a partida foi muito mais do que estas duas individualidades e mostrou um coletivo determinado em prosseguir na Liga Europa, onde quer escrever mais páginas de sucesso.
Portugal viveu, recentemente, uma invulgar semana de sucesso pleno europeu, com os triunfos de FC Porto, SC Braga e Sporting CP, que deste modo continuam vivos nas respetivas competições a nível internacional. Isto revelou-se importante para consolidar a ultrapassagem aos Países Baixos no ranking europeu, o que traz boas notícias para as vagas europeias disponíveis para as equipas lusas.
Contudo, é fundamental que futuras campanhas europeias se alarguem para fora dos quatro clubes habituais, tal como aconteceu com o Vitória SC na época transata. Para isso, é muito importante que existam progressivamente equipas mais competitivas, tanto interna como externamente.
O caminho europeu prossegue frente aos sevilhanos do Bétis, clube de uma cidade que traz boas recordações às memórias braguistas. Recordo que foi em Sevilha que o SC Braga chegou pela primeira vez à Liga dos Campeões. Que estas boas memórias sirvam de incentivo para que a equipa arsenalista possa dar mais um passo, no percurso que se deseja de sucesso.
O caminho do sonho passa por Sevilha e o desejo de todos é que ele se vá tornando gradualmente parte da realidade. Este será um desafio de elevado grau de dificuldade, a exigir uma autêntica equipa de Gverreiros nos dois jogos, a começar na Pedreira e a terminar no Estádio Olímpico de Sevilha.
As competições de clubes param nesta fase para dar lugar a jogos de preparação e/ou de apuramento no play-off das diferentes seleções. No caso de Portugal, tal como noutras seleções, os jogos particulares e as viagens longas não se mostram atrativos para os clubes, pelo que surgem sempre nestas ocasiões algumas «lesões oportunas», especialmente de nomes influentes que julgam ter lugar garantido na convocatória final de Roberto Martínez.
Uma nota para alguns regressos à seleção de todos nós, que se saúdam, destacando eu, por razões óbvias, o nome de Ricardo Horta, que assim volta a um local onde se sente feliz. Na minha opinião, esta chamada do capitão do SC Braga não é um prémio, mas um justo reconhecimento da época de excelência que está a realizar, que o pode colocar no restrito grupo da fase final do Mundial 2026. Espero que assim seja, porque o nome maior da história bracarense merece.