O artigo de hoje assenta em duas vertentes, sendo a primeira de foro interno e a segunda de nível internacional. O SC Braga viveu, recentemente, um ciclo bastante negativo, registando-se nos últimos dias melhorias no estado em que se encontram os resultados brácaros, assim como na performance dentro do relvado.
A visita a Guimarães, na continuidade da liga portuguesa, tinha por finalidade corrigir a fraca exibição e a derrota sofrida em casas frente ao Gil Vicente, que adensou o ar pesado em torno da equipa, do projeto em implementação e do processo coordenado pelo treinador Carlos Vicens, deixando a desconfiança tomar conta das sofredoras almas braguistas.
O dérbi de Guimarães é mesmo único, começando muito antes do apito inicial e acabando muito depois do termo do duelo. A concentração brácara começou bem cedo, nas imediações da Pedreira, com partida cerca de três horas antes do início da partida. Tempo a mais para uma distância tão curta, a bem da organização segura das forças policiais, com exageros evidentes nos tempos de paragem observados. Guimarães também se preparou para o dérbi que se considera diferenciado de todos os outros e o estádio dos Conquistadores ganhou colorido com a presença de vermelho e branco do secular rival bracarense.
A partida foi mais emotiva no primeiro tempo, com desperdício nada recomendado dos brácaros e uma oferta infantil sobre o intervalo, sob forma de um penálti tecnológico que o VAR descobriu bem à posteriori, que Lukas Hornicek tratou de corrigir com uma defesa enorme. Sinal dos tempos, pois aqueles puxões de camisola são de evitar, porque podem ser nefastos, mas ocorrem amiúde nos vários jogos de futebol.
O segundo período foi mais cauteloso, com Zalazar a ver negado o selo do golo do triunfo no último minuto, que faria alguma justiça ao superior desempenho global dos arsenalistas, ante um adversário renovado, em função das várias saídas que os seus adeptos não percebem, que diminuiu no relvado a diferença grande que existe nos respetivos orçamentos.
Por fim, já o domingo sorria quando os autocarros chegaram a Braga e os adeptos lá regressaram a casa, volvidas cerca de nove absurdas horas gastas (no meu caso) para ver uma partida que se jogou a vinte quilómetros da Pedreira. Era preciso analisar o que se passara e retirar daquele encontro o que de diferente, para melhor, a equipa brácara fizera em Guimarães, capitalizando isso no jogo europeu de quarta-feira, frente aos neerlandeses do Feyenoord, no início da fase de liga da presente edição da Liga Europa.
O calendário bracarense não dá tréguas e, quatro dias volvidos, a Pedreira acolhia o atual líder da liga dos Países Baixos, que chegava de Roterdão com a estampa de visitante ilustre e adversário muito difícil. Este é o segundo tema do artigo de hoje, que resulta do duelo europeu. O SC Braga voltou atrás no tempo e surgiu em campo com três defesas centrais, na sequência de uma das ideias já vistas ao técnico Carlos Vicens, num sistema que torna a equipa mais equilibrada, permitindo a subida dos laterais, cuja propensão ofensiva é notória, com Víctor Gomez a buscar terrenos adiantados mais internos e Leonardo Lelo a dar mais largura e profundidade à equipa.
O duelo disputou-se de forma rija, com respeito mútuo de duas equipas que sabiam das dificuldades que cada uma iria encontrar. Ao intervalo o nulo deixava tudo em aberto para a etapa complementar e os sinais positivos dados pela equipa acalentavam a esperança num triunfo que estancasse o período de seca para os lados Braga.
O jogo ficou decidido pelo felino remate de Fran Navarro, que teve participação importante do menino Diego Rodrigues, a pedir mais tempo de jogo, depois de mais uma assistência de Leonardo Lelo, que vive um início de época que vai de encontro às suas melhores expectativas e o podem colocar mais próximo de uma convocatória de Portugal. As bancadas soltaram os festejos no golo decisivo e no final as melhorias recentes ficaram evidentes no desempenho do jogo de Guimarães e na Pedreira, frente ao difícil Feyenoord, escassos quatro dias depois.
Uma nota para a importância do triunfo brácaro para o ranking português, uma vez que os Países Baixos são, por agora, o rival maior nessa luta europeia. Por fim, faço votos para que o regresso à liga portuguesa confirme a subida de patamar do SC Braga, que esbanjou pontos de mais nos últimos tempos.