O futebol português tem vícios enraizados de difícil erradicação. O sistema, onde se incluem os três clubes autoproclamados grandes, habituou-se a fazer jogo sujo se isso fosse condição para atingir o sucesso. Nenhum dos três clubes está inocente ao longo dos tempos e, por vezes, parece valer tudo para vencer, não se olhando a meios para atingir determinados fins.
Os regulamentos portugueses roçam o ridículo nas penas previstas para quem ousa prevaricar, criando um submundo no futebol onde o crime compensa de modo claro e inequívoco. O que mais espanta é que são os próprios clubes a criar os regulamentos e a aprovar as consequências que deles advêm. É triste, mas é a realidade.
Recentemente, houve um jogo no Dragão, entre FC Porto e Sporting CP, onde se registaram incidentes lamentáveis. Os leões queixaram-se de várias coisas que, alegadamente, prejudicaram a equipa fora do relvado, num jogo que esteve interrompido por mau comportamento pirotécnico das claques portistas, que mereceu a reprovação dos adeptos portistas nas outras bancadas, sendo também captado pelas câmaras da televisão o ato surreal de esconder as bolas de jogo e os cones onde elas são colocadas ao longo das partidas, além de outras incidências negativas tornadas públicas. O exemplo que aqui refiro é o que está mais presente na memória de todos, mas não iliba os maus comportamentos de SL Benfica e Sporting CP em tempos diferentes, cujas ações reprováveis também foram reais. Os comunicados “oportunos”, antes ou depois dos jogos, ou o condicionamento inaceitável feito pelos diferentes responsáveis de clubes aos árbitros, são exemplos, entre outros, que prejudicam o futebol e em nada dignificam os seus autores, sempre prontos a vir a público falar aos adeptos para arranjar desculpas para os erros que eles próprios cometem.
As análises televisivas pós-jogo proporcionaram muitas horas de entretenimento, com os “especialistas” a darem o seu veredicto, cujas consequências são nulas. Acredito que também este artigo tenha destino semelhante, porque quem comanda o futebol até agora se manteve impávido e sereno, para não “chatear” ninguém.
A situação vergonhosa que várias vezes observamos no futebol só se verifica a nível interno, porque a no plano internacional os “valentes” dirigentes que por cá jogam pela sujidade não ousam repetir comportamentos negativos semelhantes sob a égide da UEFA ou da FIFA. As consequências a nível internacional são graves, ao contrário da brandura verificada em Portugal.
A nível comportamental o futebol tem muito a aprender com outras modalidades, cujos comportamentos são muitos mais recomendáveis, como por exemplo no voleibol, no ténis ou outras modalidades.
Os comportamentos desviantes dos responsáveis dos clubes com maior representatividade em Portugal deveriam ser censurados pelos presidentes da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol. Até parece que estes responsáveis pelos órgãos que tutelam o futebol vivem num mundo separado da realidade portuguesa. É isso que permite que esses responsáveis fiquem caldados em
momentos cuja ação deveria ser uma exigência e uma obrigação.
A liga portuguesa ganhou um interesse repentino adicional, depois da perda de cinco pontos do líder incontestado até ao momento em apenas duas jornadas. O FC Porto tinha conseguido um número absurdo de pontos nas primeiras dezanove jornadas, onde apenas cedera um empate e vencera as restantes dezoito partidas, o que lhe valia a condição de primeiro classificado sem contestação, observando apenas pelos números.
Numa análise mais profunda, era notório que os portistas estavam a ganhar alguns jogos com base na sorte ou em fatores aleatórios, algo que indiciava que isso poderia acabar algum dia, tal como se verificou. Também os leões registam um número anormal de jogos vencidos sobre o seu limite, o que tende a acabar e, eventualmente, a afetar a sua temporada. Obviamente que isso não é motivo da minha preocupação, não passando de simples constatações.
O SC Braga encontra-se numa fase muito positiva, não sofrendo golos há seis jogos consecutivos, revelando uma evolução efetiva na sua eficácia defensiva, e regista quatro triunfos consecutivos na liga portuguesa, que valeram a recuperação de um terreno perdido na primeira volta. Este percurso recente valeu ainda a chegada ao quarto lugar da equipa de Carlos Vicens, que visita o surpreendente Gil Vicente nessa condição. Os galos ocupam a quinta posição e estão a realizar uma temporada de excelência. Assim, o dérbi em Barcelos promete ser um jogo atrativo, se as equipas colocarem em campo os seus melhores predicados