Os tempos que correm em Braga são de clara inquietação das almas braguistas, na sequência dos últimos resultados registados na liga portuguesa e, principalmente, na resposta que a equipa principal de futebol está a dar aos desafios que enfrenta, bastante aquém do que se exige.
Os dois empates registados, em casa frente ao AFS e fora frente ao Rio Ave, lançaram um mar de dúvidas num processo que antes parecia estar a correr de feição, com a Legião do Minho a ficar bastante desconfiada sobre as performances do conjunto brácaro, liderado por Carlos Vicens. O treinador espanhol trazia ideias diferentes, de difícil compreensão, que pareciam estar a evoluir e a conduzir os arsenalistas para um caminho duro, mas consistente e airoso. Contudo, as críticas dos adeptos, nas redes sociais que tudo permitem a todos, muitas vezes escondidos no anonimato, assim como de vários comentadores incapazes de dar o benefício da dúvida a quem comanda, levaram o treinador a ceder nas suas ideias principais e a equipa que lidera começou a surgir mais frágil e exposta em campo, dando aos adversários a possibilidade de marcar golos e impedir a continuidade dos triunfos registados. Este foi, na minha opinião, um erro de Carlos Vicens, cujos últimos resultados levaram ao desconforto dos adeptos, que rapidamente se traduz em contestação.
A última semana foi demasiado negativa para as equipas do SC Braga, com derrotas na equipa principal, nos Sub 23, nos Sub 19, tendo apenas escapado, nos escalões principais na formação, os Sub 17 e os Sub 15 que venceram, curiosamente ambos frente ao CD Feirense, além de um empate com sabor a derrota verificado pela equipa B em Guimarães. A juntar a estes resultados negativos, juntaram-se as derrotas do futsal, que entrou na nova época com duas derrotas consecutivas, e a equipa feminina principal, que perdeu frente a uma equipa do Damaiense cuja preparação decorreu de forma apressada, depois de a justiça a ter recolocado no escalão principal. Tudo o que mexia em Braga parecia condenado ao fracasso, numa malapata que urge superar, e isso requer uma resposta assertiva das várias formações brácaras, especialmente da equipa principal, que é o seu rosto maior do clube, para o bem e para o mal.
O programa das festas continua em Guimarães onde se realiza um jogo muito especial, que mexe vários dias, antes e depois, com os seus adeptos. Tudo é diferente nesta ocasião, porque este é o dérbi que ninguém quer perder e que promove emoções a rodos, muito para além do retângulo geométrico verde, onde a bola é tantas vezes vítima de maus tratos. Em Braga os bilhetes esgotaram pouco tempo depois de serem colocados à venda, com os adeptos a demonstrarem, uma vez mais, que não é por falta de apoio massivo que a equipa não tem êxitos regulares.
O contexto de uma deslocação de Braga a Guimarães para assistir ao duelo é surreal, ainda que pouco importe se as horas gastas, para presenciar um evento realizado a tão curta distância, cheguem a roçar a obscenidade. A cidade de Guimarães também se prepara de modo diferente neste jogo, não sendo relevante se os bilhetes são oferecidos ou comprados, ou mesmo ganhos em atividades simples. O estádio dos conquistadores ganha uma vida nova quando é visita pelos Gverreiros do Minho.
O SC Braga surge neste encontro com mais dúvidas do que certezas, por via dos três resultados negativos registados e das lesões que assolam o plantel e limitam as opções do treinador espanhol Carlos Vicens. Porém, o plantel tem elementos com conhecimento bastante para passar a mensagem a todo o grupo sobre a importância deste confronto para os adeptos, por muito que se diga que vale apenas três pontos. As ausências de Gustaf Lagerbielke, Paulo Oliveira, Mario Dorgeles ou Sandro Vidigal são facilmente notadas, ainda que o grupo restante, agora sem o emigrado Roger, tenha qualidade mais do que suficiente para um desempenho positivo, que se traduza no resultado. Os regressos efetivos da classe de Zalazar e da luz que representa a presença do Capitão Ricardo Horta, acrescentam valor ao lado bracarense. No lado vimaranense as forças surgem das fraquezas provocadas pela dizimação do plantel promovida pela gestão do clube, que deixou o treinador sem as armas com que contava recentemente e que tornavam a equipa mais forte.
A hora é de concentração de esforços em ambos os lados da contenda, com a minha força a juntar-se à de todos os braguistas que se deslocarão ao estádio, nem que isso implique o gasto abusivo de tempo a bem da teórica segurança geral.
Por fim, faço votos para que este dérbi ímpar decorra sem incidentes, com a rivalidade a existir dentro do estádio apenas, uma vez que há vida para além do futebol.