O artigo de opinião de hoje centra as suas atenções em equívocos variados vistos em diferentes contextos, tal como se observam com frequência no futebol, assim como nas nossas vidas.
Um dos pontos fortes deste texto refere-se à renascida capacidade de reação do SC Braga em situações de adversidade. Sublinho este tema porque, entre outros exemplos do passado, os jogos caseiros frente ao Gil Vicente e Nacional, ainda cedo na temporada, no Estoril, na final da Taça da Liga em Leiria e, mais recentemente, em Barcelos frente ao Gil Vicente, mostravam uma equipa bracarense que parecia tombar quando o adversário marcava um ou até dois golos. Existiam outros exemplos que poderiam ilustrar bem como esse contexto adverso, onde a equipa parecia acabar no jogo. Esta situação deve ter merecido um trabalho específico da equipa de Carlos Vicens que mostrasse ao grupo de trabalho que a equipa rival dentro do relvado pode marcar um golo, ou até dois, sem que isso significasse o fim de linha na disputa do resultado.
Em sentido contrário apresento alguns exemplos recentes que mostram a equipa bracarense com evolução positiva nesta vertente de enfrentar a adversidade, sem a encarar como uma fatalidade. Os jogos mais recentes da liga portuguesa, frente ao Vitória SC, na Pedreira, e ao Nacional, na Choupana, mostraram que um golo do adversário não impede a equipa bracarense de lutar pelo desfecho positivo, definido como objetivo. Nestes dois casos, bem como outros mais distantes no tempo, mostram como o progresso que esse tal trabalho específico, orientado por Carlos Vicens e a sua equipa técnica, conduziu a equipa para um patamar reativo que apraz registar.
A deslocação à Madeira foi marcada pelas dificuldades das viagens de ida e de volta, bastante condicionadas pelo tempo. Mesmo assim, o calor braguista no apoio à equipa no arquipélago foi uma realidade, com reconhecimento notório nas palavras proferidas depois do jogo, bem como nos momentos de comunhão entre equipa e adeptos que uma Choupana sem nevoeiro observou no final. As viagens de avião à Madeira foram compostas de muitas incertezas, com voos cancelados e outros desviados na ida, assim como vários adiamentos e cancelamentos na viagem de regresso. O tempo na Madeira dita regras muitas vezes na aterragem e descolagem de aviões naquele aeroporto.
O triunfo conseguido no reduto da Nacional corrigiu o percalço penalizador da primeira volta e deu justiça à performance arsenalista em campo, cujos destaques maiores voltaram a ser Zalazar e Ricardo Horta. Estes dois elementos encontram-se numa boa fase individual que favorece muito o coletivo, elevando a equipa do SC Braga para um patamar superior e promovendo a sua candidatura a figurarem nas convocatórias finais das seleções do Uruguai e de Portugal.
O jogo da Madeira merece o meu reparo negativo por causa de uma arbitragem, do alentejano Diogo Rosa, repleta de equívocos, que prejudicaram objetivamente o SC Braga em três lances determinantes, referentes a um golo mal anulado a Gabri Martinez na primeira vintena de minutos, que ampliava o resultado para dois golos de diferença, e a dois lances passíveis de grande penalidade (sobre Pau Víctor, na primeira parte, e Zalazar, perto do fim do jogo) que não foram corrigidos devido à inação do VAR. O facto de a equipa bracarense ter vencido não me inibe de evidenciar preocupação com erros tão flagrantes, que a repetirem-se noutra altura podem ter implicações negativas no desfecho da partida.
O SC Braga tem um mês de março bastante exigente, a começar já na receção ao Sporting CP. A nomeação de Miguel Nogueira dá garantias de trabalho positivo, num duelo em que se defrontam duas equipas que gostam do jogar bom futebol.
Uma nota final para a arruada preparada pelos elementos afetos às claques bracarenses, estando ainda na memória de todos o miserável ato de censura de André Carvalho, que comandou as forças policiais no dérbi contra o Vitória SC, à tarja de grandes dimensões realizada e não exibida, uma vez que não “subintendeu” nada do que a mensagem de apoio que aquele colossal trabalho queria passar. Em solidariedade com as claques, as gentes de Braga têm sido críticas de toda a situação e vão juntar-se num percurso feito a pé até da cidade até ao estádio em apoio à equipa de Carlos Vicens. Espero que seja uma demonstração de que a cidade e o seu clube mais representativo se misturem e se tornem uma só, como sublinhava a mensagem do tifo realizado e que foi censurado devido a pura ignorância e arrogância. A tarja censurada terá, em breve, exposição duradoura na bancada nascente, tal como merece.