O SC Braga está a viver uma época de transformação, na sequência das alterações introduzidas e da aposta num projeto que sirva de impulso para objetivos maiores no futuro. A escolha inicial de Carlos Vicens surgiu nesse contexto de construção de um processo que possa conduzir ao sucesso. Contudo, o caminho percorrido pela equipa arsenalista tem duas caras muito distintas - uma a nível interno, onde o desempenho está muito aquém das expectativas na liga portuguesa, e outra a nível externo, onde o percurso nas competições europeias roça a perfeição.
Os Gverreiros do Minho registam, até ao momento, um trajeto europeu que começou com um empate na Bulgária, no primeiro jogo oficial, a que se seguiram oito triunfos, sendo os primeiros cinco nas eliminatórias e os restantes três na fase regular da Liga Europa. Acresce o facto de os três triunfos já conquistados nesta fase terem sido alcançados frente a clubes - Feyenoord, Celtic (na Escócia) e Estrela Vermelha – que já foram campeões europeus.
Ora, este feito tem passado, intencionalmente, despercebido à imprensa desportiva portuguesa, que não tem dado o devido valor ao que os bracarenses têm realizado a nível internacional.
O sistema inclui também a comunicação social e o tratamento desigual dado aos diferentes clubes. Podemos afirmar que o SC Braga atingiu um brilho europeu que o coloca, por agora, na liderança partilhada da Liga Europa e nas bocas do mundo. É preciso viver cada momento com base no passado e com pensamento no futuro, pelo que o presente merece ser apreciado, ainda que rapidamente já que o calendário bracarense não dá tréguas. Agora, é urgente recuperar a Pedreira como fortaleza nas competições internas, para que algum respeito seja restabelecido.
O treinador Carlos Vicens viu a insatisfação braguista ser mais evidente após a derrota contra o Nacional e prometeu uma cara diferente da equipa que comanda no ciclo muito difícil que se seguia.
A crença geral não era muita, mas o grupo uniu-se em torno do projeto que estava a ser construído, vencendo com clareza o Celtic, na Escócia, num estádio onde nenhuma equipa portuguesa triunfara e num país onde as visitas brácaras se traduziram em derrotas até esse jogo. Parecia o início da retoma, que se confirmou em Alvalade, onde o empate reforçou os indicadores positivos dados, ainda que a prestação arsenalista merecesse mais do que a igualdade conquistada nesse duelo.
Internamente, após a pausa das seleções, o SC Braga deslocou-se a Bragança para eliminar o conjunto local, cumprindo o objetivo de seguir em frente, ainda que com uma exibição de «serviços mínimos». Foi o capitão Ricardo Horta quem desatou o nó em que o encontro se transformara com o passar do tempo, já perto do seu epílogo.
As competições europeias regressaram ao calendário bracarense com a receção ao Estrela Vermelha, da Sérvia, onde atua agora o histórico guardião Matheus, que esteve ao serviço do SC Braga durante onze épocas. O regresso foi aplaudido pelos adeptos e sentido pelo clube, que fez questão de o receber bem e homenagear. Matheus ficou a saber que continua a ser uma referência em Braga, sendo ainda o jogador mais titulado de sempre do clube.
Os nove pontos amealhados até ao momento deixam bem encaminhado o desejado apuramento para a fase seguinte. Contudo, ainda há trabalho a fazer para que o carimbo da qualificação se torne uma realidade.
Agora é hora de regressar à Liga Portuguesa e de voltar aos triunfos, pois já foram desperdiçados pontos a mais. Espera-se que a receção ao Casa Pia confirme a fase positiva que se vive em Braga e a Pedreira se volte a transformar numa fortaleza que importa recuperar. O calendário não abranda e exige uma avaliação cuidada em várias vertentes, de modo a permitir que Carlos Vicens tome as melhores opções em função do adversário e dos constrangimentos existentes.
Seguimos juntos neste caminho de afirmação, também a nível interno.