António Costa
        António Costa
        O sítio dos Gverreiros
        António Costa

        Braga é na Europa

        2026/03/21
        E0
        "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

        O último artigo que escrevi aqui referia que “afinal Istambul é longe”. O texto surgiu na sequência da derrota consentida (2x0), na Hungria, frente ao Ferencváros, e, sobretudo, da fraca prestação registada pelos bracarenses — um contexto que deixou apreensiva toda a Legião. Após aquela noite, as perspetivas de prosseguir em prova eram diminutas, parecendo que a desvantagem de dois golos constituía uma montanha demasiado difícil de ultrapassar. Assim, no imediato, o panorama era bastante sombrio no que se referia à superação da eliminatória.

        O SC Braga, por iniciativa própria e com eventual suporte em textos escritos, iniciou uma onda mobilizadora, com a finalidade de criar um ambiente propício a uma jornada épica, que viria efetivamente a concretizar-se, para gáudio do universo braguista. Os artigos de opinião, as redes sociais, as publicações dos elementos do grupo de trabalho e, institucionalmente, do SC Braga, caminhavam todos no sentido de apelar a um espírito de superação capaz de escalar a montanha que o momento da eliminatória representava.

        A crença de todos foi crescendo à medida que o tempo passava e o contexto sombrio que se instalara após a derrota na primeira mão foi-se dissipando, a ponto de se gerar uma convicção clara e generalizada de que seria possível reverter a situação.

        A preparação do encontro coincidiu temporalmente com a colocação da chamada “tarja da censura”, que o SC Braga fez questão de expor ao longo do exterior da bancada Nascente, transformando esse espaço numa autêntica sala de exposições permanente. Estou convicto de que esta coincidência reforçou ainda mais, de forma positiva, o espírito geral. Os jogadores e restantes elementos do grupo de trabalho não ficaram indiferentes à colossal tarja ali exposta, que sublinha os valores do passado que conduziram ao presente, bem como a crescente ligação entre o SC Braga e as suas gentes.

        O encontro foi agendado para a tarde de uma quarta-feira, por imperativos de segurança definidos pelas entidades responsáveis. Este horário era mais um obstáculo que importava transformar numa arma a favor do espírito de conquista. A Legião marcou presença em grande número, superando a meia casa, algo que merece ser valorizado face aos condicionamentos existentes.

        O dia do jogo chegou e o ambiente era de elevada expectativa quanto à conquista de um resultado histórico, capaz de anular a desvantagem de dois golos e de corrigir a imagem tremida deixada no duelo da Hungria. Quero acreditar que o trabalho preparatório foi planeado ao detalhe, com cada um a saber exatamente o papel que teria de desempenhar rumo a uma performance que poderia juntar os nomes atuais a outros de grandes jornadas europeias do passado. Contudo, o futebol tem um lado aleatório, capaz de derrubar o melhor dos planos. Era necessário marcar um golo atrás de outro, sem precipitações excessivas, pois a pressa é, muitas vezes, inimiga da perfeição.

        O início da partida mostrou que a equipa montada por Carlos Vicens era composta por autênticos Gverreiros do Minho. Ao terminar o primeiro quarto de hora de jogo, a desvantagem estava anulada, graças aos golos de Ricardo Horta — uma vez mais a iluminar o caminho — e de Grillitsch, que colocaram as bancadas braguistas em festa. Ainda no primeiro tempo surgiu o tão desejado golo da remontada, pelo pé direito de Gabri Martínez, que já merecia este momento de felicidade há algum tempo. O intervalo chegou com a estranha sensação de que a eliminatória estava do nosso lado, embora no futebol as cautelas nunca devam ser descartadas.

        O segundo tempo trouxe o melhor golo da tarde, pelo pé direito de Ricardo Horta, para o selecionador ver e para toda a Legião celebrar. O capitão bracarense não se cansa de escrever História na sua longa ligação ao SC Braga, sendo, na minha opinião, o nome mais marcante de sempre no clube. Ficou confirmado que é na Europa que Braga deve estar e competir, num caminho que prossegue em Sevilha, já que o Bétis é o rival que se segue e que importa superar. Assim, Istambul voltou a ficar mais perto.

        Ricardo Horta é o nome maior do SC Braga e está, a par de Rodrigo Zalazar, a realizar uma época de excelência, vendo esse trabalho reconhecido na convocatória da seleção nacional. Veremos se, até ao final da temporada, o camisola 21 consolida a sua influência na equipa e ainda vai a tempo de garantir um lugar no grupo que disputará a fase final do Mundial de 2026.

        Agora é tempo de receber o FC Porto, que é, nesta altura, o principal candidato ao título de campeão nacional. As dificuldades esperadas são muitas e a exigência colocada à equipa será máxima. A equipa portista sabe que, em teoria, este deverá ser o encontro mais complicado até ao final da competição, pelo que a Pedreira deverá assistir a um duelo de elevada qualidade. Que a bola possa rolar, sem atropelos à verdade desportiva.

        Yorumlar

        Yorum yapmak ister misiniz? Sadece kayıt olun!!
        Motivo:
        EHenüz yorum yapılmamış.

        Görüş