A época natalícia que vivemos justifica o título deste artigo. Contudo, irei um pouco mais além da mera questão temporal.
O SC Braga regressou ao trilho dos triunfos nas competições europeias, onde apenas perdeu um jogo, de forma bastante infeliz, frente aos belgas do Genk, num total de 12 partidas disputadas. O apuramento encontra-se praticamente garantido, existindo ainda boas condições para lutar pelo apuramento direto entre os primeiros oito classificados. A História bracarense voltou a ser escrita com novos dados, a partir do primeiro triunfo de sempre obtido em França, tal como já acontecera anteriormente na Escócia.
No plano interno, os ares brácaros tornaram-se mais respiráveis após uma recuperação notável na Liga portuguesa, especialmente em relação ao Gil Vicente, que permitiu ao SC Braga alcançar o quarto lugar, ultrapassando consecutivamente vários clubes rivais da região minhota. Os Guerreiros do Minho continuam vivos em todas as competições, apesar da lamentável perda de pontos na fase inicial do campeonato.
O treinador Carlos Vicens continua sem muito tempo para treinar a equipa, em virtude do calendário apertado a que está sujeito. É o preço a pagar pela permanência em todas as provas até ao momento. Ainda assim, o período positivo que o SC Braga atravessa permite consolidar o processo que o treinador espanhol trouxe para Braga, pois quem ganha encara o futuro de forma mais otimista, no futebol como na vida. Será importante que todo o staff contribua para identificar os jogadores que se encontram em melhores condições para integrar o onze inicial em cada partida, mesmo que isso implique a utilização de atletas com menor tempo de jogo e que, precisamente por isso, estejam física e mentalmente mais frescos.
O futebol português viveu, nos Açores, uma noite marcadamente triste e escandalosa, no duelo da Taça de Portugal entre o Santa Clara e o Sporting CP, na sequência de uma decisão surreal. Resumidamente, o Santa Clara chega, pela primeira vez, à vantagem no encontro a escassos quatro minutos do final do tempo regulamentar e, no minuto seguinte, fica reduzido a dez jogadores, sem que exista qualquer imagem que comprove o acerto da decisão do árbitro João Pinheiro.
De seguida, já no início do período de descontos, ou tempo adicional mínimo concedido pelo árbitro, se preferirem, um lance na área açoriana levou a arbitragem para o domínio do onírico, quando o VAR demorou doze minutos a tentar descortinar um motivo para que João Pinheiro fosse rever o lance e nele visse fundamento para assinalar uma grande penalidade. Este tempo absurdo contraria todas as normas definidas, tornando evidente que o lance não era claro e óbvio, pelo que o VAR nem deveria ter intervindo, muito menos ter mantido o jogo parado durante um período tão excessivo. Isto só mesmo em Portugal.
O encontro terminaria com a passagem leonina à fase seguinte, após a disputa de um prolongamento que, face ao lance descrito, nunca deveria ter existido. É já a segunda vez, num curto espaço de tempo, que os açorianos são gravemente prejudicados frente ao mesmo adversário, ainda que, no jogo da Liga portuguesa, esse prejuízo tenha resultado de um canto muito mal assinalado, um erro normal de observação que, por infeliz coincidência, originou o golo da vitória dos leões.
A arbitragem de João Pinheiro ficou claramente manchada por um lance que impediu, em condições normais, a passagem do Santa Clara à próxima fase, pelo que o árbitro terá motivos suficientes para dormir mal durante algumas noites. Curiosamente, o treinador dos leões voltou a afirmar que não viu o lance e que, por isso, não o comentaria, quando todos o viram a acompanhar as imagens disponíveis a partir do banco, em tempo real. Foi coerente com o que já havia dito no mesmo estádio, algum tempo antes, sobre a influência da arbitragem no encontro da liga portuguesa.
O mau serviço prestado pela equipa de arbitragem ao futebol português pode ter comprometido a esperança de ver a arbitragem nacional representada no próximo Campeonato do Mundo, pois o que se viu foi simplesmente mau demais para ser ignorado. A credibilidade do futebol voltou a ser “esfaqueada” com este péssimo episódio ocorrido nos Açores.
Como nota final, deixo aqui os meus votos de um Bom Natal a todos, desejando que o espírito desta época invada o maior número possível de corações. Esta dedicatória tem como destinatários especiais aqueles que costumam ler os meus artigos, a quem deixo um agradecimento sincero, assim como a toda a Legião do Minho, pelo símbolo que nos une.