António Costa
        António Costa
        O sítio dos Gverreiros
        António Costa

        Além das palavras

        2025/09/13
        E0
        "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

        O SC Braga ainda não sofreu qualquer derrota na presente temporada. Isto, noutros tempos, até poderia ser visto como algo muito positivo, o que não acontece no contexto atual. Ora, esta avaliação mais apertada e diferenciada no tempo nada tem de negativo, porque o grau de exigência em Braga subiu de modo claro nas últimas duas décadas.

        Os Gverreiros do Minho já realizaram dez partidas oficiais, entre liga portuguesa e Liga Europa, tendo empatado uma, na Bulgária e vencido os cinco duelos seguintes, no caminho que conduziu a mais uma prestigiante presença na fase regular a nível europeu. A estes resultados juntam-se duas vitórias na liga portuguesa, obtidas nas duas primeiras jornadas. Contudo, o encanto interno dos triunfos parou por aí, porque a receção ao AFS, de José Mota, e a visita ao Rio Ave, agora mais grego do que português, terminaram com a igualdade a dois golos, nos dois casos, havendo a coincidência de estes dois adversários dos brácaros terem feito do antijogo uma arma absolutamente lamentável.

        Só que esta imagem negativa, que se repete tantas vezes nos estádios portugueses, aliada ao facto de existir um sistema que privilegia sempre três clubes, impede que o futebol português chegue a um patamar elevado enquanto espetáculo, e se torne apetecível para eventuais compradores, que façam subir as receitas dos clubes

        O empate caseiro frente aos avenses causou apreensão, que se acentuou com idêntica igualdade registada em Vila do Conde. É precisamente o resultado negativo que se verificou no fraco estádio do Rio Ave, que oferece condições de baixo quilate a quem o visita, que dá origem ao título deste artigo, porque o capitão João Moutinho, na ausência de Ricardo Horta, não poupou nas palavras de análise ao duelo, referindo que se “o SC Braga quer ser grande tem que se portar como tal em todos os momentos”, não se ficando pelos discursos de circunstância dos jogadores no dia a dia. O jogador referiu, ainda, que “é preciso ir além das palavras”, havendo necessidade de a equipa saber responder, nos diferentes contextos, se realmente quer subir de patamar no futebol nacional. Ora, eu concordo plenamente com as ideias expressas por João Moutinho, uma vez que a consistência deve integrar o léxico diário do plantel bracarense, se o objetivo for de lutar com os adversários mais fortes, que esta época gastaram dinheiro de modo inédito na construção e ajustamento abastados dos seus plantéis.

        Também o SC Braga fez um investimento avultado, que o pode aproximar um pouco mais dos habituais clubes do topo, apesar de as diferenças de orçamento ainda serem gritantes.

        A Pedreira vai ser palco de um confronto braguista com o Gil Vicente, cujos preços dos bilhetes de público vendidos aos adeptos adversários são obscenos, em reposta à decisão insensata de início da época dos gilistas de só vender bilhetes a cinco clubes por valores que em nada se coadunam com o nível de vida português e só afastam, cada vez mais, as pessoas dos estádios. Não se compreende a decisão inicial vinda de Barcelos, que teve esta resposta nos lados de Braga. Como forma de contornar a situação, os (ir)responsáveis gilistas ofereceram por 10 euros cada bilhete de 25 e ainda juntou o transporte gratuito no pack. Desde já apelo à Legião do Minho para que no jogo da segunda volta as cadeiras destinadas aos braguistas fiquem vazias, como forma de protesto e oferecendo, com lacinho, a atual despesa gilista à sua gestão. Fica aqui o meu repto para uma resposta futura a condizer.

        O plantel de Carlos Vicens viu sair neste fecho de mercado o menino Roger para a longínqua Arábia Saudita, que o pode colocar mais próximo da seleção principal portuguesa, dado que vai jogar naquela liga “competitiva” onde atua o capitão Cristiano Ronaldo e mais uns quantos jogadores da nossa seleção. Em função da sua humildade e postura ao longo dos tempos, faço votos para o menino que cresceu na Cidade Desportiva de Braga consiga voar e atingir um patamar que muitos lhe auguraram bastante cedo. Há, agora, trabalho adicional para Carlos Vicens resolver, na colmatação da vaga deixado por Roger, que abre um espaço competitivo para outro valor despontar, estando Sandro Vidigal à cabeça por causa das suas características, ainda que o lugar possa proporcionar a afirmação de outro jogador jovem. Veremos o que nos reserva o futuro a este nível.

        Quem, também, deixou Pedreira foi Robson Bambu, cuja fibra parecia tão frágil que as lesões eram uma ameaça constante. Este jogador teve sempre uma postura correta em Braga e merece que a sorte lhe sorria. O caso mais bicudo em Braga é mesmo o de Banza, para o qual já não há paciência e, em breve, nem saída airosa para um valor que se estraga mais a cada dia que passa.

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