António Costa
        António Costa
        O sítio dos Gverreiros
        António Costa

        A Paz turbulenta

        2025/12/06
        E0
        "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

        O mundo encontra-se em permanente mudança e evolução, num tempo em que parece existir uma ausência de líderes fortes e carismáticos. Percorrendo cerca de um século, é possível constatar que houve duas guerras mundiais, marcadas por atrocidades inomináveis, sem que a humanidade tenha aprendido verdadeiramente com os erros cometidos. As lições do passado não se converteram em aprendizagem, e os tempos atuais são de conflitos em vários pontos do globo, numa lógica em que o mais forte procura subjugar o mais fraco para daí retirar vantagens.

        Contudo, poucos parecem perceber quão efémera é a vida, não se justificando que tantos morram diariamente a combater, quando poderiam trabalhar para que o mundo fosse um lugar melhor para viver, evoluindo, em vez de regredir. As guerras do passado procuravam alcançar a supremacia sobre o outro, expandindo domínios pela força das armas, num processo que o bom senso de alguns políticos e líderes distintos tentou, ao longo do tempo, contrariar. Assim surgiram blocos territoriais que o tempo, mais tarde, se encarregou de separar de novo através de líderes sensatos.

        A paz está, hoje, longe de ser alcançada, porque as pessoas continuam incapazes de conviver com as suas diferenças. Isto é particularmente evidente nos líderes atuais, que não são capazes de vislumbrar no horizonte um futuro mais sorridente, preferindo insistir em narrativas tão absurdas que roçam o surreal. A paz encontra-se numa fase turbulenta, que impede o seu aparecimento efetivo e o silenciar das armas em nome da Humanidade. Faço votos para que o caminho a seguir seja aquele que visa o bem comum e não sirva apenas para alimentar egos políticos.

        O futebol pertence ao mesmo mundo que usa armas para dominar e vencer. Também ele vive momentos de turbulência porque muitos dos seus responsáveis continuam incapazes de fugir à tentação que conduz ao perigoso caminho da corrupção, como se viu no passado recente na organização de alguns eventos internacionais. O futebol procura, frequentemente, impor a lei do mais forte, dominando e subjugando o mais fraco na tentativa de alcançar o topo, sem olhar aos meios utilizados para atingir determinados fins.

        Em Portugal, os árbitros vivem uma guerra aberta com o futebol, num protesto visível há algum tempo e que ameaça agravar-se. A função de um árbitro é, por si só, bastante complexa, mas essa complexidade intensifica-se quando surge a pressão inaceitável dos dirigentes dos clubes, sempre que veem o terreno que julgavam seguro fugir-lhes debaixo dos pés.
        Os clubes gastam atualmente mais do que deviam, o que os obriga à procura de receitas extraordinárias, sendo a mais desejada aquela que provém das verbas avultadas da Liga dos Campeões.

        Porém, o ranking atual só permite o apuramento direto do campeão português, pelo que os outros candidatos a esse “poleiro” reclamam sempre que as coisas não lhes correm de feição. E é assim que se enganam adeptos. Os responsáveis dos clubes branqueiam a própria incompetência e culpam as arbitragens por aquilo que não conseguem em campo, apesar de, na maioria dos jogos, os orçamentos presentes no relvado serem amplamente díspares entre as equipas em confronto, retirando competitividade à liga portuguesa.

        Os árbitros, vítimas de um sistema miserável e impune, ameaçam endurecer a luta, o que se compreende. Como referi, a arbitragem é uma função complexa que se torna ainda mais difícil quando sobre ela recai uma pressão que não pode ser tolerada. Convém recordar que os árbitros são seres humanos e, como tal, cometem erros. O importante é que o erro seja apenas isso e nada mais. A carreira de um árbitro não pode ser condicionada por um sistema que se alimenta da impunidade dos dirigentes, impunidade esta que é mantida por aqueles que regem o futebol.

        Não se auguram tempos pacíficos no futebol. Os árbitros perceberam que estão a ser condicionados e que isso pode levar, involuntariamente, à adulteração de resultados. A paz turbulenta atravessa também o futebol, sem que se vislumbrem medidas capazes de corrigir a situação. Os árbitros fazem bem em lutar pela criação de um ambiente sem pressões, que lhes permita desempenhar dignamente a sua nobre função. É fundamental que as pessoas possam acreditar na honestidade dos árbitros, porque quanto à competência haverá sempre uns melhores do que outros, como é inevitável. Contudo, a credibilidade é essencial para que os adeptos confiem no que veem e não vivam numa permanente desconfiança. Espero que os responsáveis do futebol português saibam interpretar os sinais que têm pela frente e, com isso, contribuam para a serenidade e isenção das arbitragens.

        Por fim, espero que o SC Braga continue a crescer e consolide a fase positiva que atravessa, onde, por vezes, os resultados não acompanham as boas exibições.

        Yorumlar

        Yorum yapmak ister misiniz? Sadece kayıt olun!!
        Motivo:
        EHenüz yorum yapılmamış.

        Görüş