António Costa
        António Costa
        O sítio dos Gverreiros
        António Costa

        A equipa B em campo

        2025/12/27
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        "O sítio dos Gverreiros” é uma coluna de opinião de assuntos relativos ao SC Braga, na perspetiva de um olhar de adepto braguista, com o sentido crítico necessário, em busca de uma verdade externa ao sistema.

        A época natalícia que vivemos pouco se coaduna com parte do conteúdo deste artigo, que visa, uma vez mais, promover a reflexão e as mudanças que se impõem no futebol português.

        Os últimos tempos têm sido pródigos em incidências negativas que deveriam fazer corar alguns agentes do mundo da bola. As arbitragens mais recentes têm apresentado situações vergonhosas, cujo exemplo maior foi a eliminação cruel do Santa Clara na Taça de Portugal, aos pés de decisões erróneas da arbitragem que beneficiaram o Sporting CP e castigaram sobremaneira os açorianos. Este castigo foi decisivo, porque significou o fim da participação na prova, tratando-se de uma competição a eliminar. Se situação idêntica tivesse ocorrido na Liga portuguesa, haveria sempre a possibilidade de recuperar o terreno (mal) perdido. A eliminação injusta do Santa Clara contou com intervenção direta do VAR, numa primeira instância, e do árbitro João Pinheiro depois, que não foi capaz de emendar a surreal paragem para análise de um lance que nunca apresentou razões para recurso à tecnologia.

        A falta de seriedade global parece abundar no futebol português e conduz à sua progressiva descredibilização, curiosamente protagonizada pelos próprios agentes que dele vivem. É necessária uma verdadeira pedrada no charco, algo mais forte, com impacto até internacional, porque enquant os clubes reagirem como o Santa Clara — expulso indevidamente da Taça de Portugal — limitando-se a pedir áudios, isto não tem emenda.

        Segue-se agora o encontro entre o SC Braga e o SL Benfica para a Liga portuguesa. A vontade de muitos adeptos braguistas seria ver a equipa B em campo frente às águias, um dos três clubes do sistema. Uma decisão desta natureza, quando houver coragem para colocar uma equipa secundária em campo, talvez conseguisse lançar um debate sério que conduzisse ao fim da falta de vergonha generalizada que existe no futebol português. Seria, simultaneamente, uma excelente oportunidade para os jovens crescerem num contexto exigente, ainda que o objetivo maior fosse a criação de condições para o aparecimento de maior igualdade entre clubes no que respeita aos erros de arbitragem.

        Contudo, não acredito que uma ação de choque como esta esteja sequer no pensamento dos responsáveis bracarenses, ou de qualquer outro clube português. Ainda assim, não seria mal arriscar uma vez, se tal pudesse ser um contributo positivo para melhorar o futebol e torná-lo numa modalidade mais séria, transparente e digna de confiança por parte dos adeptos.

        Na Taça de Portugal, o SC Braga tinha como destino as Caldas da Rainha, mas houve um desvio de última hora para a vizinha cidade de Torres Vedras, onde reside um clube rival dos caldenses. As gentes das Caldas sentiram-se desrespeitadas e receberam os Guerreiros do Minho numa casa emprestada pelo “inimigo”. Compreendo essa revolta. A mudança do local de jogo, alegadamente motivada pelo estado do relvado, levou a equipa das Caldas para outro campo que também se encontrava em más condições.

        O orgulho caldense teve como aliados o apoio dos adeptos, a entrega dos jogadores e a lentidão exibida pelo SC Braga na primeira parte. No entanto, no início do segundo tempo, os bracarenses
        aceleraram os seus processos e marcaram três golos em apenas nove minutos. O destino do jogo ficou assim traçado, permitindo ao SC Braga regressar com o sentimento de missão cumprida, aguardando agora o adversário a visitar nos quartos de final, que poderá ser o Lusitano de Évora, em Elvas, ou uma curta deslocação a Fafe.

        A banda de música presente na bancada, em apoio permanente ao Caldas SC, foi música para os ouvidos de todos e acabou por acompanhar, involuntariamente, a celebração dos golos bracarenses. No estádio encontravam-se um pouco mais do que as três dezenas de adeptos do SC Braga anunciados pelo site Mais Futebol. Estes números falsos eram contrariados pela presença de quatro autocarros vindos de Braga, além de muitos carros particulares, pelo que ficou patente a desinformação inaceitável por parte de um órgão especializado, que lançou números sem critério e sem se perceber com que finalidade. Uma situação lamentável, que não se deveria repetir, a bem da nobre função de informar.

        O SC Braga precisa de crescer na velocidade imposta em determinados momentos do jogo, bem como na exploração das alas, conferindo maior verticalidade e profundidade ao seu futebol. Será necessário encontrar soluções no mercado de inverno, uma vez que da formação não parece emergir, neste momento, uma aposta consistente e de futuro. Resta saber se o mercado permitirá equilibrar um pouco mais o plantel.

        Uma nota final para deixar os meus votos de continuação de Boas Festas desta quadra natalícia a todos, com especial dedicatória aos leitores dos meus artigos e aos membros da Legião do Minho.

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